segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Lenore

Essa é minha primeira tradução de poesia. Decidi fazer como exercício, e também por encontrar muito poucas traduções de Lenore, um dos meus poemas preferidos do Poe. O cara é um dos grandes estilistas da língua inglesa, e se eu não conseguir passar o clima do poema para o português, o que é muito difícil mesmo, espero pelo menos ter absorvido um pouco do seu estilo para uso próprio. Não sejam cruéis; como eu disse, é minha primeira vez.


Lenore - versão 1.0
Edgar Allan Poe - tradução de Danieli Moreira

Quebra-se a taça dourada, vai-se a alma que se aflige
Que soem o sino! -uma alma santa adeja o rio Estige
Por que não choras, Guy De Vere? solta agora o teu plangor!
Vê! o derradeiro leito que é do teu amor, Lenore
Vem! Ore-se a última prece, cante-se a canção final
Um hino à jovem e bela morta de porte real
Ela, duas vezes morta, finda jovem, virginal

“Vis! Amavam suas posses sem perdoar-lhe a altanaria
E quando caiu de cama, bendisseram que morreria
Como rezarão as preces? Com que boca cantarão?
Com suas viperinas línguas, com seu mau-olhado então
Que mataram a inocente, que tão jovem foi-se em vão”

Peccavimus; deliras! Deixe o réquiem tocar
A purificar os mortos, subindo a Deus pelo ar
Seu amor, Lenore, que antes subiu, ao lado da esperança
Deixando o desespero por tua noiva, ainda criança
Por ela, a bela, a estrela que sob o chão já se vai
A vida em seus louros cachos mas não em seus olhos mais
A vida ali, ainda em seus cachos, em seus olhos jamais

Meu coração é leve, não me lamentarei mais
Ali o anjo paira, canta graças por seus ais
Que o êxtase dessa alma não ouça sino terreno
Que não se prenda ao mundo, condenado e tão pequeno
Do inferno ao céu a alma canta a nós o seu adeus
Do sofrimento a um monumento ao lado bem de Deus"


Original


Ah, broken is the golden bowl! the spirit flown forever!
Let the bell toll! -a saintly soul floats on the Stygian river - 
And, Guy De Vere, hast thou no tear? -weep now or never more!
See! on yon drear and rigid bier low lies thy love, Lenore!
Come! let the burial rite be read -the funeral song be sung! - 
An anthem for the queenliest dead that ever died so young - 
A dirge for her, the doubly dead in that she died so young.


"Wretches! ye loved her for her wealth and hated her for her pride,
And when she fell in feeble health, ye blessed her -that she died!
How shall the ritual, then, be read? -the requiem how be sung
By you -by yours, the evil eye, -by yours, the slanderous tongue
That did to death the innocence that died, and died so young?"


Peccavimus; but rave not thus! and let a Sabbath song
Go up to God so solemnly the dead may feel no wrong!
The sweet Lenore hath "gone before," with Hope, that flew beside,
Leaving thee wild for the dear child that should have been thy bride - 
For her, the fair and debonnaire, that now so lowly lies,
The life upon her yellow hair but not within her eyes - 
The life still there, upon her hair -the death upon her eyes.


Avaunt! tonight my heart is light. No dirge will I upraise,
But waft the angel on her flight with a paean of old days!
Let no bell toll! -lest her sweet soul, amid its hallowed mirth,
Should catch the note, as it doth float up from the damned Earth.
To friends above, from fiends below, the indignant ghost is riven - 
From Hell unto a high estate far up within the Heaven - 
From grief and groan to a golden throne beside the King of Heaven."

4 comentários:

  1. Achei muito bom, mesmo. Mas só prestei atenção da tradução (sentido) e rimas; depois tento considerar outros detalhes do original. :)

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  2. Não conhecia, ótima leitura! Poe, sempre nos deixa sem palavras.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Bom enfim, obrigado pela tradução,mais considero que foi segundo a perspectiva da tradutora,pois no final onde está the King of Heaven." foi colocado Deus", deveria ter deixado o mais proximo do original,(minha opinião)...

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